Sim, o pessimista pode se tornar otimista — e não porque existe uma virada mágica de personalidade, mas porque o modo de pensar não é fixo. A psicologia chama de estilo explicativo a forma como interpretamos os eventos da vida. E estilos aprendidos podem ser reaprendidos.

O que é o estilo explicativo pessimista

Frases como “só podia acontecer comigo”, “é sempre assim” ou “não faço nada certo” parecem desabafos inofensivos. Mas revelam um padrão: a tendência de interpretar os contratempos como permanentes, abrangentes e pessoais.

  • Permanente — “sempre vai ser assim”. O problema não tem fim.
  • Abrangente — “não faço nada certo”. Um fracasso contamina tudo.
  • Pessoal — “só eu”. A falha é minha, não da situação.

Esse estilo transforma obstáculos simples em situações graves. E a reação paralisante que ele gera — “não adianta fazer nada” — pode se tornar uma profecia que se cumpre.

O custo do pensamento derrotista

Quando a pessoa sucumbe ao desânimo e rende-se ao fracasso por acreditar que as dificuldades são irremovíveis, ela desiste com facilidade dos próprios propósitos. Não porque as situações são realmente irresolúveis, mas porque o modo de interpretá-las impossibilita a ação.

O pensamento negativo também não costuma ficar contido — ele contamina outras áreas da vida, os relacionamentos e a percepção que os outros têm de você.

“Ser otimista não é acreditar que tudo vai dar certo. É avaliar a melhor configuração possível da situação e não abster-se de agir.”

O que otimismo real significa — e o que não é

Otimismo não é negar a realidade, nem criar uma versão bonita para o fato desastroso. É avaliar a melhor configuração possível da situação, esperar uma solução favorável sem parar de agir e desdramatizar o problema sem minimizá-lo.

O otimista considera o insucesso um contratempo passageiro. Refaz-se da derrota, dá a volta por cima e recomeça — não porque ignora o que aconteceu, mas porque não deixa que o que aconteceu defina o que vai acontecer.

Publicado originalmente

Este artigo foi publicado na Gazeta do Iguaçu — Ano 25, Ed. 7.322, Suplemento Saúde e Comportamento, Foz do Iguaçu, novembro de 2012, página dupla central.

Três práticas para cultivar um olhar mais construtivo

Tornar-se otimista consiste em mudar conscientemente o modo de falar consigo mesmo — de negativo para ponderado, sem distorcer a verdade dos fatos.

  • Ajudar os outros — sempre que possível, sem reclamar. Sair do próprio circuito mental é o início de uma perspectiva mais ampla.
  • Preferir a realidade a qualquer ilusão — o otimismo sadio parte dos fatos como eles são, não de como gostaríamos que fossem.
  • Observar o que vem para bem — não como negação do mal, mas como hábito de procurar o que pode crescer dentro da adversidade.

Por mais difícil e complexa que seja a situação, a superação passa pela ótica construtiva. E esse caminho pode ser aprendido — muitas vezes, com ajuda. Saiba como funciona o atendimento psicológico.